Luiz Paulo Bellini Junior

Bacharel em Relações Internacionais, com MBA em Gestão de Negócios e Especialização em Marketing Digital com ênfase em Search e Analytics, certificado pelo Google. Atualmente é diretor executivo da AW Digital. Fundador do site MundoRI.com e organizador do livro "O Mundo das Relações Internacionais: Opinião e Reflexão", publicado em 2009, pela Editora Aduaneiras. Assuntos desta Coluna: Empreendedorismo, Marketing Digital e Tecnologia.

14/08/2013

Ciberespionagem: um mercado em ascensão

Não, o título acima não é uma apologia à ciberespionagem. Não é um incentivo para que programadores tornem-se hackers e atuem neste nicho. É apenas uma realidade. É a velha prática de espionar que foi incorporada ao mundo digital.

Espionar é “vigiar sorrateiramente as ações, as palavras de alguém, para relatá-las a outrem ou em proveito próprio. Recolher informações e transmiti-las” (Aurélio).  Em outras palavras, é a maneira pela qual uma pessoa obtém informações confidenciais, sem autorização daqueles espionados, organizações privadas ou governos, para alcançar certa vantagem. Tal vantagem pode ser de cunho militar, político, econômico, tecnológico, social, ou de qualquer outra natureza não autorizada.

A prática de espionar é antiga. Historiadores a retratam de forma desorganizada desde a antiguidade – tempo bíblicos. Mas, o responsável pelo primeiro registro de espionagem organizada foi Sir Francis Walsingham, durante o reinado da Rainha Elizabeth I, no século XVI. Para quem quer saber mais sobre o assunto, vale a pena conferir “A História da Espionagem”, de Ernest Volkman.

O período de ouro da espionagem ocorreu durante a Guerra Fria (1945 a 1991). Ocidente versus Oriente, ou melhor, CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos) contra KGB (Comitê de Segurança do Estado da antiga União Soviética). Foi neste período que a União Soviética obteve tecnologia para desenvolver armas nucleares. O casal Rosenberg foi acusado e condenado à morte em 1953 nos EUA por transmitir à URSS os segredos para a produção da bomba atômica.

Nesta época surgiu o mais famoso espião do serviço secreto britânico, MI-6, conhecido mundialmente por 007. James Bond foi criado por Ian Fleming, em 1953, primeiramente em livros de bolso. O personagem obteve tanto sucesso que é hoje a franquia mais duradoura e bem sucedida.

Para os curiosos, vale a pena visitar o International Spy Museum, que explora o ofício, a prática, a história e o papel contemporâneo da espionagem, localizado em Washington, DC. Em Langley (Virgínia, EUA), a CIA mantém um museu sobre “o mundo da inteligência”, mas só pode ser visitado virtualmente.

Não é só na relação entre Nações que a espionagem é realizada de forma organizada. A cada ano empresas entram em disputas judiciais milionárias umas contra as outras por acusações de obtenção de informações secretas e espionagem industrial.

Em 2011, A Renault demitiu três diretores por vazamento de informações sobre o projeto de carro elétrico. Em 2010, a MGA Entertainment acusou funcionários da Mattel de terem usado crachás de identificação falsos para acessar suas fábricas. Em 2009 a rede de hotéis Starwood acusou o grupo Hilton de roubar informações. Em 2008, a Petrobras enfrentou uma situação envolvendo roubo de notebooks e discos rígidos a respeito das descobertas do pré-sal. Outros casos envolvendo empresas como LG Eletronics, Philips, HP, Procter & Gamble, Unilever, Huawei e Motorola são publicamente conhecidos.

Mais recentemente, Apple, Facebook, Google e Microsoft passaram a fazer parte desta lista, mas de uma maneira diferente. O caso ganhou a mídia internacional por se tratar do método mais atual de espionagem. Como foi amplamente divulgado, Edward Snowden, ex-funcionário da NSA (Agência de Segurança Nacional dos EUA), revelou o programa de ciberespionagem americano, que monitorou informações dos usuários dos serviços das empresas supracitadas.

Como esta descoberta pode ser somente a ponta de um iceberg, algumas seguradoras estão transformando a crise em oportunidade. A Allianz, maior seguradora da Europa, divulgou nota esperando lucrar com a alta demanda corporativa por seguros contra hackers e invasões pela internet.

Conhecido como produtos de seguros cibernéticos, este nicho gera prêmios em torno de US$ 1,3 bilhão nos Estados Unidos. Dado o atual cenário internacional, especialistas dizem que este é um mercado com taxas de crescimento de dois dígitos. Até o espião sexagenário não resistiu. A ciberespionagem é tema central do mais recente filme de James Bond, “007, Operação Skyfall”.

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